Archive for dezembro, 2008

Porta-Retrato

Era sereno olhar daquela criança, olhando a frente não se sabe o que, talvez seu próprio destino. Em suas mãos um punhado de rosas vermelhas, ainda jovens, fechadas em seus botões. Estava, a pequena princesa, em uma espécie de sala dourada, adornada com flores e folhas em relevo, mas aquele local não pertencia a menina, ela era somente uma anfitriã, que aguardava ali sozinha pelo tempo necessário até que chegasse àquele invólucro dourado seu ou seus verdadeiros herdeiros. Ela não sorria, e aqueles que permanecessem observando, poderiam notar trizteza em seus olhos, mas não saberiam dizer se o sentimento se devia ao fato de que em breve teria que abandonar a beleza de sua residencia temporária ou se ja não aguentava esperar pela liberdade que há muito não chegava. Não que me alegre, ou mesmo que não me encomode, a agonia da menina, mas não poderei dar-lhe boas notícias, mas posso dizer algo que só seus ouvidos poderão dizer se foi em voz de anjo ou de carrasco.

-Hoje, menina, não trago sorrisos para substituir-te em tua alcova, mas amanhã darás teu primeiro passo lá fora.

dezembro 22, 2008 at 1:09 pm 8 comentários

Esperança

O verde, a última que morre.

Mais mata do que morre, ou faz morrer. A esperança é a espera, é suave e não áspera, mas só faz esperar, deixar que, imóvel, o carro ande, em um caminho estático, sem inda ou vinda, e que melhore sozinho, aquele que precisa ser melhorado. Não anda, não move, não melhora, mas há esperança, é nela que confiamos…

Confiança, esperança, palavras de tamanha semelhança só podem coexistir na conivência, enquanto um não deixa construir o outro destrói o pouco que tem, e em seu ciclo uma reforça a outra para não deixarem o poder. O traído vê o fim, mas não é o fim, há de se ter esperança, confie, e na confiança que traia outra vez, mas a esperança não morre…

Não morre? “Lá bem no alto do décimo segundo andar vive uma louca chamada Esperança e ela pensa que quando todas as sirenas todas as buzinas todos os reco-recos tocarem… Atira-se… E que morra.  Porque a última?  Antes vós do que a mim mesmo. Nada de espera, está na hora, já há certo atraso, incalculável perda, diga-se, juros, correções e muito mais. Mas em breve… Não! Agora. Em breve a noite cai, as estrelas começam a brilhar, o sono vem, mas o amanhã…

…o amanhã  não virá.

dezembro 15, 2008 at 1:06 am 10 comentários

When we are born

Nasce um filho meu, de um ventre digital. Estou feliz, é um fruto planejado, não me causou surpresa nem insatisfação, me sinto seguro e ja vejo nele a minha própria imagem. Mas ainda muito frágil, temo que não vingue, nossos rebentos são muito fracos, e morremos de medo de que aquilo que amamos se desfaça de repente. E o que dizer quando deve ser uma escolha nossa fazer vingar ou não tal rebento, qual seja. O novo as vezes causa certa agonia, o que será e o que deixará de ser traz um desconforto e nem sempre estamos dispostos a enfrentar, e as vezes não devemos realmente, mas como saber?

Pensamos, medimos e pesamos, e enquanto isso o filho que acabou de nascer chora, e alimentamos para que pare chorar, e acalentamos para que se acalme e estamos cada vez mais próximos dele, esquecemos então de pensar, deixamos para depois, e depois, procrastinando o inadiável até descobrirmos, talvez, que o filho não deveria estar ali, e chorava, não pela comida mas porque ele mesmo sabia que não devia estar ali.
When we are born we cry that we are come to this great stage of fools.

dezembro 6, 2008 at 7:18 pm 10 comentários

Hello world!

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dezembro 6, 2008 at 6:00 pm 1 comentário


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